Há muitos anos ele escreveu em bilhete que se perdeu: "gosto da sensação de aliança contigo..." Falava de casamento - um tipo de casamento que só se lia nas fábulas de príncipes e princesas, reis e rainhas, onde as alianças jamais se desfazem, ainda que venham dragões e guerras de espadas. Um casamento que só eles sabiam que existia. Porque assim tinham sido um para o outro sempre: fabulosos e encantados.
E houve muitas batalhas e também dragões, leões, vendavais, tempestades e longos períodos em que ambos se alternavam e se aventuravam por terras distantes. Mas a sensação de aliança persistia, simplesmente porque gostavam daquela liberdade de poder ser um para o outro - amigo, companheiro, marido, namorado. A cumplicidade foi sempre o segredo daquela aliança quase irreal. E a falta dela era a única coisa capaz de romper com aquele compromisso velado. Seria como a maçã envenenada.

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